Prefeito busca na França apoio ao Agropolo Campinas-Brasil

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, passa a semana de 21 a 25 de março em Montpellier, na França, onde busca acordo de cooperação internacional para o Agropolo Campinas, criado em junho do ano passado. Donizette também vai apresentar as vantagens da cidade para os empresários franceses, com o objetivo de atrair investimentos. Participam da viagem representes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O vice-prefeito Henrique Magalhães Teixeira assume a Prefeitura interinamente até sexta-feira.

A visita tem o objetivo de estabelecer um intercâmbio de experiências em urbanismo, além da produção de conhecimentos estratégicos e produtos inovadores para a cadeia produtiva do setor agroalimentar.

O Agropolo Campinas – Brasil envolve empresas, institutos de pesquisa e universidades que atuam nas áreas de agricultura, alimentação, biotecnologia, biodiversidade e bioenergia. Está fundamentado no conceito da “inovação colaborativa”, definida como uma nova estratégia de promover pesquisa, desenvolvimento e inovações tecnológicas de produtos e serviços.

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette é o presidente do Conselho Administrativo do Agropolo. O objetivo desse Conselho é estimular a cooperação científica e tecnológica entre instituições de ensino e pesquisa e o setor produtivo. O modelo é inspirado na cidade de Montpellier, na França, onde funciona órgão semelhante (Agropolis). A iniciativa pretende fomentar a formação de um Parque Tecnológico Agroalimentar em Campinas.

O acordo que criou o Agropolo conta com as participações da Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo; Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, por meio do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e do Instituto Biológico (IB); Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a Associtech Techno Park Campinas e a Agropolis. A Embrapa e o Consulado Geral da França, em São Paulo, são apoiadores do acordo.

A Agropolis International foi criada em 1986. É considerada uma das maiores concentrações de competências nas áreas de agricultura, alimentação, biodiversidade e meio ambiente.

Vocação de Campinas

Campinas teve uma vocação agrícola desde sua origem. Plantações de cana-de-açúcar dominavam a paisagem entre o fim do século XVIII e início do século XIX. Atualmente, possui uma área rural com extensão de 407,5 km2 (51,2% dos 796,4 km2 de área total do município), que pode ser comparada às áreas totais de municípios brasileiros, como Belo Horizonte - MG (área total de 331,4 km2), Curitiba - PR (área total de 331,4 km2) e Porto Alegre - RS (área total de 331,4 km2). Os dados são do IBGE, 2010.

Em torno de 1860, Campinas mostrava, pela primeira vez, sua feição de superdotada com o cultivo do café: era a maior produtora do estado e a cidade mais rica de São Paulo.

O século XX foi marcado por uma nova vocação econômica: a industrialização e, depois, o setor terciário. Campinas tornou-se um centro urbano.

Mas essa nova realidade não afastou a cidade de sua vocação original. No lugar de centro agrícola, a cidade passou a se destacar com instituições de pesquisa na área de agricultura: o Instituto Agronômico de Campinas – IAC (1887), o Instituto Biológico (1937), a Unicamp (1966), o Ital (1969) e a Embrapa Campinas (1989). Em 2014, a Prefeitura instituiu o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e do Agronegócio.

Dessa forma, Campinas tem um grande potencial para o desenvolvimento do Parque Tecnológico Agroalimentar.

Sobre a Agropolis Internacional

A associação francesa Agropolis Internacional é financiada e administrada por instituições da comunidade científica regional de Languedoc-Roussillon, em Montpellier (França).

Ela é voltada para a pesquisa agronômica e o desenvolvimento sustentável. É aberta a todas as iniciativas de parcerias que têm como objetivo o desenvolvimento econômico sustentável dentro do setor agroalimentar. Funciona como uma plataforma científica voltada às características e interesses das regiões mediterrânea e sul da França.

São mais de 2.200 gestores científicos distribuídos em 110 unidades de pesquisa em montpellier e na região languedoc-roussilon, incluindo 300 cientistas no Exterior, em 60 países.

Agropolo Campinas-Brasil

Nas últimas três décadas polos científicos e tecnológicos têm sido criados na área de agronegócios e outras relacionadas. Alguns exemplos estão nas universidades de Wageningen na Holanda, Davis na University of California nos EUA e o Agropolis em Montpellier na França. Nesse sentido, a região de Campinas, SP destaca-se na América Latina pelo seu potencial em se tornar um importante polo em bioeconomia, área que envolve agricultura, alimentos, saúde, química verde e bioenergia. Por essa razão e como fruto de extensas conversações, foi assinado em 2015 um acordo de cooperação, envolvendo instituições de pesquisa e empresas, na sua maioria de Campinas e região e, órgãos governamentais do Estado de São Paulo, visando o desenvolvimento de projetos nessas áreas.

Assim, foi criado o Agropolo Campinas-Brasil para desenvolver pesquisas visando inovação científica e tecnológica com foco nas áreas da bioeconomia. O objetivo é que os projetos sejam realizados em parcerias com empresas e forte participação internacional. Para tanto, propôs-se um primeiro projeto, intitulado “Agropolo Campinas-Brasil: roadmap das áreas estratégicas de pesquisa visando a criação de um ecossistema de classe mundial em bioeconomia”

Programa de Pesquisa em Politicas Públicas FAPESP

O Programa de Pesquisa em Politicas Públicas destina-se a apoiar o desenvolvimento de pesquisas voltadas ao atendimento de demandas sociais concretas e busca a aproximação do sistema de ciência e tecnologia paulista com a sociedade. O Programa reúne Institutos de Pesquisa, Universidades e organismos do Setor Público Estadual (Secretarias Estaduais e Municipais, Empresas Estatais e Prefeituras) do Setor Público Federal e organismos do Terceiro Setor (Fundações e Organizações Não Governamentais). O espectro dos projetos aprovados é amplo, tanto no que diz respeito às áreas de atividade, quanto à origem e ao local de execução. Um pressuposto básico é a formação de parceria, que assegure a utilização dos resultados da pesquisa na implementação de políticas públicas de relevância social.

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